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Mata Hari

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Mata Hari

Mata Hari
* 7 de agosto de 1876
15 de outubro de 1917

Por trás da exótica personagem que construiu, a de uma dançarina falsamente indiana, a espiã transformou-se em lenda, eternizada pelas dúvidas sobre sua atuação.

 

 

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Sumário


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Mata Hari (por Jean-Jacques Rivière)

Em 1917, em pleno conflito mundial, Mata Hari, a célebre dançarina, foi julgada por um conselho de guerra, condenada à morte e, dois meses e meio mais tarde, em 15 de outubro, fuzilada na cidade de Vincennes, na França.

Muito foi escrito sobre ela. Alguns de seus biógrafos tentaram limpar sua biografia, incutindo dúvidas sobre sua culpabilidade. Outros, ao contrário, mostraram tantas provas para embasar seus comentários que tornou-se difícil, até mesmo impossível, acreditá-la inocente.

Mata Hari, acusada de espionagem em favor dos alemães durante a Primeira Guerra Mundial
Mata Hari, acusada de espionagem em favor dos alemães durante a Primeira Guerra Mundial

Mais penoso ainda é esclarecer, em meio a essa confusão de relatos, os motivos que a fizeram agir. Apesar de tudo o que foi publicado, muitos aspectos de seu temperamento permaneceram estranhamente obscuros. A dançarina, cujo verdadeiro nome era Marguerite Gertrude Zelle (Margaretha Geertruida Zelle), nasceu em 7 de agosto de 1876, em Leeuwarden, na Holanda, filha de um comerciante bastante conhecido, de origem javanesa, e de mãe holandesa, descrita pelos que a conheceram como uma "grande dama, tão bela quanto rica".

Mata Hari confirmou essas origens em suas Memórias, publicadas em Amsterdã no ano de 1906. Memórias que, como tudo que se refere a ela, suscitaram ásperas discussões, permanecendo, também elas, cercadas de mistério. Durante um tempo, entretanto, Marguerite rejeitou sua origem européia; gostava de se passar por nativa das índias Holandesas, filha de um rajá e de mãe indiana.

A verdade era mais simples: alguns anos depois da morte da mãe, ela tinha conhecido, durante umas férias, um capitão do exército holandês chamado Mac Leod, que iria se tornar seu marido. O casamento, no dia 30 de março de 1895, em Amsterdã, repercutiu na alta sociedade holandesa.

Mac Leod apresentou sua mulher à corte. A estranha beleza daquela holandesa com traços indianos fez sensação. Em seu rosto, chamavam a atenção especialmente os dois olhos de fogo, dotados um estranho poder de fascinação, que ela soube utilizar para atingir seus objetivos.

O capitão logo seria convocado para o comando de um batalhão no Extremo Oriente. O casal se instalou em Java com mais um membro na família - o filho, nascido no final de 1895. Marguerite, que contava com essa maternidade para estreitar os laços conjugais já bastante relaxados, acalentou a ilusão por pouco tempo: Mac Leod era um marido leviano, imoral, que a tratava com violência.

Pouco depois da chegada a Java, uma segunda criança viria ao mundo - uma filha, Jeanne-Louise. Sua vinda não trouxe nenhuma melhora à vida do casal, ainda mais complicada por uma tragédia: o pequeno Norman, com três anos de idade, morreu envenenado por uma serviçal.

Em suas cartas ao pai, ela se queixava dos maus-tratos a que era submetida, e o senhor Zelle apresentaria queixa contra o genro. As coisas não tardariam a piorar: depois das brutalidades, a ameaça por armas. A convivência tornou-se impossível. Mac Leod, cuja conduta obrigara seus superiores a intervir, passou para os quadros da reserva e o casal voltou à Holanda.

Em um dia de agosto de 1902, Mac Leod saiu, levando a filha doente, não voltando mais para casa. Praticamente sem recursos, Mata Hari vendeu alguns objetos e refugiou-se na casa da tia, esposa de um banqueiro de Arnhem, iniciando um pedido de divórcio.

Mac Leod replicou com um aviso pela imprensa de que não era mais responsável pelas dívidas da mulher. Esta, com o pedido de sua tia para deixar a casa, logo foi para a rua com a filha, devolvida pela justiça. Três florins era toda a fortuna que possuía. Mata Hari voltaria à casa de seu pai, em Amsterdã, mas logo se interessou por Paris, para onde viajaria em 1903.

A vida que levou em seus primeiros tempos de Java, onde se debruçara sobre a literatura indiana e a leitura de textos budistas, além de seu gosto natural pela dança, fizeram com que se voltasse para o teatro. Seu físico, aliás, a ajudou. Um romancista a descreveu assim: "Grande, esbelta, ela exibe sobre seu maravilhoso pescoço, flexível e cor de âmbar, uma face fascinante, perfeitamente ovalada, cuja expressão sibilina e tentadora impressiona. A boca, vigorosamente desenhada, traça uma linha móvel, desdenhosa, muito carnuda, sob um nariz reto e fino cujas asas palpitam sobre duas covinhas sombreadas nos limites de seus lábios. Os magníficos olhos, ligeiramente puxados, aveludados e melancólicos, são envoltos por longos cílios encurvados e têm qualquer coisa de hindu. Seu olhar é enigmático: perde-se no vazio. Os cabelos, muito pretos, repartidos ao meio, montam em sua face um quadro de impenetráveis ondulações". Naquele início de século, assim se mostrava Mata Hari aos parisienses.

Mas a ação de divórcio iniciada por ela não teve seqüência, devido à lentidão da justiça. Mac Leod, marido odioso, não tolerou que a mulher se dedicasse à dança e insistiu, em uma carta, que ela voltasse à Holanda.

Marguerite ponderou a ira de Mac Load passando o ano de 1904 com seus parentes, em Nimègue, na Holanda. Nessa pequena cidade, depois de ter conhecido o sucesso em Paris, a vida lhe era penosa. Na primavera de 1905, não se contendo mais, ela empreendeu outra tentativa de liberdade, voltando à capital francesa para viver num hotel privado em Neuilly, oferecido por um rico industrial que abandonara a mulher e os filhos para cobri-la de presentes, Mata Hari dava festas suntuosas. Em Nice, recebeu a notícia da morte de seu ex-marido, na Escócia.

Mas, em uma bela manhã, um triste despertar: o rico industrial, que se arruinara por ela, emitindo cheques sem fundo, tinha sido preso.

Mata Hari, 1906
Mata Hari, 1906

Foi a queda livre. Durante meses, o silêncio. Ninguém mais ouviu falar de Mata Hari. Porém, em uma noite de outubro de 1905, toda a sociedade de orientais que morava em Paris, todos aqueles que tinham relações no mundo das letras e das artes, os críticos de imprensa mais célebres, receberam um convite para uma soirée no museu Guimet para lá ver, diziam os cartões, uma dançarina indiana, de nome Mata Hari, executar danças sagradas.

O sucesso foi enorme. Mata Hari estava lançada. Ela viajou pela Europa. Os music-halls de Roma, de Berlim, a acolheram. Na Alemanha, Mata Hari cultivou relações com o príncipe herdeiro, o duque de Brunswick, o chefe de polícia de Berlim e Van der Linden, presidente do Conselho de Holanda. Os teatros de Paris disputavam a dançarina, oferecendo-lhe cachês astronômicos.

Uma noite, no Folies-Bergères, um homem se apresentou em seu camarim, carregando magníficas orquídeas.

Era o marquês de Montessac, uma estrela da Paris elegante, além de confidente dos oficiais superiores da cidade. Distinto, rico, jogando muito bem seu jogo, falando correntemente russo, inglês, alemão e francês, o marquês causou forte impressão em Mata Hari, com a qual não tardou a se ligar.

Qual teria sido seu papel, exatamente? Seria ele o rico alemão que a introduziu nos serviços secretos alemães? Seu papel permaneceu muito misterioso, e ele fazia freqüentes viagens. Na volta de uma delas, Mata Hari venderia sua casa de Neuilly, desaparecendo de Paris, em julho de 1914.

Nos primeiros dias de agosto, ela se apresentou no maior cassino de Berlim. Provavelmente, e até certamente, Mata Hari teria sido prevenida da iminência da guerra e convidada a instalar-se na Alemanha. Em todo caso, um fato que ela jamais negou aconteceu: no dia da declaração de guerra, ela almoçava com o chefe de polícia em um restaurante chique de Berlim.

Entretanto, ela não ficaria muito tempo além-Reno. Alguns dias depois do início das hostilidades, voltou à Holanda, passando a viver discretamente em Amsterdã, apesar de fazer muitas viagens a Londres, o que atraiu a atenção do serviço de inteligência britânico, embora nada pudesse ser encontrado que provasse sua atuação como espiã na época.

No início de 1916, voltou a Paris, onde retomaria sua vida de outrora, ligando-se a um alto funcionário do Ministério das Relações Exteriores.

Mata Hari

O serviço secreto britânico revelou suas suspeitas, e a dançarina era vigiada permanentemente pelos serviços da polícia francesa. Constatou-se que ela, muito regularmente, freqüentava uma casa conhecida por ter duas saídas. A polícia - que negligência - não teve a idéia de verificar quem se instalara no imóvel. Apenas depois do processo, ela soube que um serviço anexo da legação da Holanda tinha estabelecido escritórios ali.

Em um dia de agosto de 1916, a espiã suspeita encontrou-se com o capitão chefe da polícia francesa e lhe pediu uma carta de livre trânsito. Ela queria - segundo seu pedido - dedicar-se ao serviço dos oficiais feridos, que convalesciam nos estabelecimentos da estação termal transformados em hospitais.

Levando-se em conta que existia, nos arredores próximos da cidade, um grande campo de aviação em construção, o pedido parecia suspeito. Era uma bela ocasião para se dirimir as dúvidas. A permissão foi, naturalmente, concedida, mas, o chefe de polícia, capitão Ladoux, confiou a um jovem lugar-tenente dos dragões, ferido em convalescença, a missão de entrar na intimidade de Mata Hari e vigiá-la. Três meses mais tarde, ela voltou a Paris, sem recursos e loucamente apaixonada, ao que parecia, por um capitão do exército russo, de nome Maslov, cego durante a guerra, que se tratava em Vittel.

Em sua chegada a Paris, foi convidada a se apresentar no escritório de contra-espionagem, onde o capitão Ladoux lhe revelou que as potências aliadas suspeitavam dela, que deveria partir imediatamente para a Holanda, nunca mais voltando à França. Mata Hari protestou e, depois de uma longa conversa, conseguiu permanecer na França, com o compromisso, porém, de se engajar nos serviços secretos franceses.

Para colocá-la mais uma vez à prova, Ladoux lhe confiou a missão de ir à Bélgica, mas por Lisboa, "por ser mais seguro", a fim de levar suas instruções a cinco agentes franceses residentes atrás das linhas alemãs. Os nomes eram, evidentemente, falsos, salvo um: o de um agente duplo muito suspeito. Por Lisboa, tinha especificado Ladoux. Ele sabia muito bem o que fazia: para chegar a Lisboa era necessário passar pela Espanha, onde - a coisa era conhecida - pululavam agentes alemães. Como ele tinha previsto, a dançarina - a quem tinham sido destinados magros subsídios - parou em Madri, onde os serviços franceses, alertados, a seguiram bem de perto. Ela fez freqüentes visitas a Von Kalle e Von Krohn, adidos militares da embaixada alemã, e finalmente rumou para Lisboa, com o intuito de chegar à Bélgica.

Durante a viagem, o barco que a levava foi inspecionado por um navio de guerra inglês. Mata Hari, transferida a bordo desse último, desembarcou em Southampton, passando por minuciosa vistoria, e voltou à Espanha, por ordem do capitão Ladoux, que, entrementes, tinha sido informado pelo Intelligence Service de que ela não possuía mais as cinco famosas cartas e que, por outro lado, o agente duplo, cujo endereço aparecia em uma das cartas em questão, tinha sido fuzilado pelos alemães. As suspeitas ganhavam corpo. Mata Hari estava, então, em Madri, sem recursos. Ela bateu à porta da embaixada da Alemanha, insistindo em obter remuneração por conta dos serviços prestados por ela à causa do Reich.

Nesse momento aconteceu o episódio capital que permitiu estabelecer a acusação: um radiograma expedido pelo principal quartel alemão à embaixada alemã em Madri dizia, em resumo: "H. 21, excelente agente antes da guerra, nada produziu de sério depois que a guerra foi iniciada. Digam a H. 21 para voltar à França e continuar sua missão. Ele receberá um cheque de 5 mil francos retirado por Kraemer no balcão de descontos".

Esse radiograma, captado pela estação da torre Eiffel, foi imediatamente transmitido ao capitão Ladoux e decifrado. A chave do código secreto por meio do qual o adido naval alemão em Madri se comunicava com Berlim já estava desde muito tempo de posse dos franceses.

Se, como se acreditava cada vez mais, Mata Hari era de fato o agente H. 21, bastava esperar que ela voltasse à França, já que fora essa a instrução dada por seus chefes alemães.

Foi o que aconteceu: em 5 de janeiro de 1917, a espiã estava de volta a Paris. Sua prisão não foi imediata. Em seu dossiê, nenhuma prova, a não ser o radiograma. Nenhuma carta, nenhum documento escrito, apesar da atenta vigilância. Apenas um cartão postal sem importância fora encontrado. Levar Mata Hari ao conselho de guerra, nessas condições, faria com que a acusação fosse obrigada a mostrar a prova do radiograma captado, revelando dessa forma que os franceses possuíam o código alemão.

A vigilância não se descuidava dela, mas não conseguiu nenhuma outra informação. Mata Hari, por outro lado, inquieta por ver que o capitão Ladoux evitava recebê-la, pressentindo a catástrofe, insistia em que lhe dessem outra missão no exterior. Por medo de que ela fugisse, a prisão foi, enfim, decidida. Na manhã de 14 de fevereiro de 1917, a polícia cercou o Palace Hotel, onde ela se hospedava.

Mata Hari

Depois de um primeiro interrogatório, no serviço francês de contra-espionagem, ela foi encarcerada na prisão de mulheres Saint-Lazare. A instrução foi bastante longa. A procura por uma prova escrita, além do radiograma interceptado, continuava. Mas era necessário parar com os interrogatórios. O processo foi aberto em 24 de julho de 1917 diante do 3o conselho de guerra de Paris.

Os debates se realizavam, naturalmente, a portas fechadas. Mata Hari se defendeu galhardamente durante os dois dias que duraram os debates. Ela reconheceu ter se encontrado com o chefe de polícia de Berlim no dia da declaração de guerra. A isso, o presidente do conselho de guerra declarou: "A senhora entrou, em seguida a serviço do chefe de espionagem alemão, que a encarregou de uma missão em Paris, dando-lhe 30 mil marcos e o nome de H. 21".

A dançarina não se intimidou: "é verdade. Eu recebi um nome de batismo e 30 mil marcos para me corresponder com meu amigo. Mas esses 30 mil marcos não eram um salário de espiã e sim um presente".

à pergunta: "A senhora foi ao front de batalha, onde permaneceu por sete meses, sob pretexto de estar servindo a um ambulatório em Vittel", ela precisou: "é verdade. Eu queria, permanecendo em Vittel, onde eu não era enfermeira, me dedicar a um pobre capitão russo, o capitão Maslov, que tinha ficado cego. Eu queria pagar por minha vida fácil, consagrando-me ao alívio da doença de um infeliz oficial, a quem amava. Ele foi, na realidade, o único homem que eu realmente amei".

Um primeiro golpe direto lhe foi desferido pela acusação: convidada a dar detalhes sobre sua atividade a serviço da França, Mata Hari teria fornecido informações sobre os pontos da costa do Marrocos espanhol onde os submarinos alemães faziam escala.

Então, ela fez a seguinte réplica: "De onde vieram essas informações? Se elas eram exatas, é porque os senhores tiveram relações diretas com o inimigo; se elas eram falsas, os senhores nos enganaram!"

Enfim, o coronel que presidia o conselho de guerra, revelou a prova do famoso radiograma de Madri. Imediatamente, ela "explicou" os motivos da soma que lhe fora ofertada e respondeu, imperturbável: "é absolutamente exato. O lugar-tenente Von Krohn achou que era mais cômodo me presentear com dinheiro do governo alemão do que com seu próprio dinheiro".

Apesar da bela defesa, que argumentou que tudo o que fora apresentado contra a acusada era apenas um conjunto de declarações de agentes dos serviços secretos ou de atas de sessão de polícia, o tribunal seguiu a orientação do comissário do governo, que pediu a pena de morte. Depois de dez minutos de deliberações, a sentença foi proferida: por unanimidade, Mata Hari foi condenada ao fuzilamento.

Na manhã de 15 de outubro de 1917, data estabelecida para a execução, ela foi acordada e levada para a cidade de Vincennes. Em um silêncio impressionante, Mata Hari desceu do carro, tomando o braço de irmã Léonide, ajudando-a a descer. Chegando perto do poste de execução, separou-se bruscamente da freira, dizendo: "Beije-me rápido e me deixe agora. Coloque-se à minha direita. Eu olharei para o seu lado. Adeus!"

Na manhã de 15 de outubro de 1917, data estabelecida para a execução
Na manhã de 15 de outubro de 1917, data estabelecida para a execução

Enquanto um oficial lia seu julgamento, a dançarina, que se recusara a vendar os olhos colocou-se diante do poste. Uma corda foi passada em sua cintura, sem nenhum nó. O pelotão de execução, composto de 12 caçadores comandados por um aspirante, se colocou em frente a ela, a dez metros de distância. Mata Hari sorriu pela última vez à irmã Léonide, ajoelhada, e fez-lhe um gesto de adeus.

Uma só detonação para os 12 tiros, seguida de outra. As trombetas soaram. As tropas desfilaram. O médico legista se aproximou e confirmou o óbito. Ninguém reclamaria seu corpo. Depois de um simulacro de exumação, os restos de Mata Hari foram entregues à faculdade para ser dissecados.

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Palcos e gabinetes

  • 1876 Nasce em 7 de agosto, em Leeuwarden, Holanda
  • 1895 Casa-se com o capitão do exército holandês Mac Leod, que logo seria convocado a prestar serviço em Java, na Indonésia, para onde o casal se mudaria
  • 1902 Após retornar à Holanda, é abandonada pelo marido
  • 1905 Em Paris, lança-se como dançarina, em uma grande festa, e conquista a capital francesa
  • 1914 Vende a casa e desaparece misteriosamente; em agosto, apresenta-se em Berlim
  • 1916 Retorna a Paris; suspeita de espionagem, é convidada a voltar para a Holanda; para evitar isso, se engaja no serviço secreto francês; ao cumprir a missão que lhe é confiada, desperta suspeitas, que levariam a seu julgamento
  • 1917 Acusada de atuar como espiã e também como agente dupla para a Alemanha e a França é julgada e considerada culpada; em 15 de outubro, é fuzilada

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Sexo, fortunas e traições (Jean-Marc Loubier)

Mata Hari jamais escondeu sua atração por homens afortunados. Desde sua chegada a Paris, em 1903, ela se esforçou para prender em sua rede alguns cavalheiros mais idosos em busca de aventuras extraconjugais.

Um dos primeiros a sucumbir foi Louis Castagnols, um gascão que colocou sua fortuna aos pés dela; foi seguido pelo dono de uma usina de laminagem de Beauvais, depois por Gaston Menier, o rei do chocolate, Roger Lecaplain, negociante de vinhos de Bordeaux, o marquês de Beaufort... Em 1910 ela seduziu o banqueiro Xavier Rousseau, que lhe abriu as portas de seu castelo na Touraine. Quando ele estava arruinado, ela o abandonou para se lançar nos braços de Alfred Kiepert, rico proprietário alemão que lhe ofereceu uma moradia principesca em Berlim. Por vezes ela também se gabava de ter obtido os favores dos grandes deste mundo, como o irmão do duque de Cumberland, que desposou a filha de Guilherme II.

De todos os amantes reais ou supostos de Mata Hari, convém não esquecer dois.

Mata Hari, 1912
Mata Hari, 1912

A começar pelo barão Edouard van der Capellen. Coronel aposentado da cavalaria, ele lhe alugou uma casa na cidade de Haia em 1914. Foi ele quem enviou a Mata Hari, por duas vezes, os 5 mil francos que Bouchardon afirmou ser o montante de seu salário de espiã. Em seguida, há Vadim de Masslov, um capitão russo dez anos mais jovem que ela, na verdade um gigolô. Foi por ele que ela correu riscos dirigindo-se a Vittel e oferecendo seus serviços ao capitão Ladoux. Masslov, que ela queria até desposar, foi o grande amor de sua vida. O quadro de caça de Mata Hari ficaria incompleto caso se esquecesse do diplomata Jules Cambon. Ela o encontrou quando ele era embaixador na Espanha e depois o reencontrou em Berlim às vésperas da declaração de guerra. Mais que um amante, ele era um amigo fiel. Foi o único a testemunhar em favor dela durante o processo, quando ocupava o cargo de secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores.


Desde o dia 13 de fevereiro de 1917, data da prisão de Mata Hari, o capitão Bouchardon, encarregado do processo de instrução, estava imobilizado. Havia meses que a acusada não cessava de proclamar sua inocência e Bouchardon não tinha provas de sua culpabilidade. Mais ainda, ele não podia duvidar de que em 21 de maio, ao deixar a cela 12 da prisão de Saint-Lazare, onde estava encarcerada, Mata Hari tivesse a intenção de lhe dizer tudo. Diante de Bouchardon, ela declarou:
"Em maio de 1916 eu estava em minha casa em Haia. Bateram na porta. Eu mesma fui abrir e me encontrei diante de M. Cramer, cônsul da Alemanha em Amsterdã. Ele sabia que eu acabara de pedir um passaporte para a França. Ele começou assim: \\'Sei que a senhora vai para a França, quer nos prestar serviços? Trata-se de obter ali todo tipo de informações que possam nos interessar. Se quiser fazer isso para nós, tenho 20 mil francos para lhe entregar\\'. (...) Não lhe respondi de imediato, pedi para refletir e depois lhe escrevi que ele podia trazer-me o dinheiro. Veio até minha casa e me entregou 20 mil francos em papel-moeda francês. Na mesma ocasião ele me disse: \\'Será preciso nos escrever usando tintas secretas.\\' (...) Ele me contou imediatamente que existiam tintas que ninguém conseguia ler e que me bastaria assinar com o código H21, que ele me dava. (...) Com os meus 20 mil francos no bolso, eu me despedi de Cramer, mas asseguro que nada lhe escrevi durante minha permanência em Paris".

Essas confissões foram suficientes para Bouchardon, que acusou Mata Hari de colaboração com o inimigo. O que ela podia esperar ao fazer essa confissão? Sem dúvida o perdão, provando sua boa-fé. Sabe-se hoje que ela não mentia: não deu informação alguma a Cramer.

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A lenda em prosa, verso e película (Raphaella de Campos Mello)

Mata Hari não poderia ter desejado uma intérprete que personificasse sua exuberância com tamanha precisão como o fez Greta Garbo no cinema. A diva estrelou o filme Mata Hari, em 1931, clássico em preto e branco dirigido por George Fitzmaurice (disponível em DVD), o qual retrata as artimanhas da famosa espiã durante a Primeira Guerra Mundial. Mata Hari foi refilmado em 1985, sob a direção de Curtis Harrington.

Inspiradora de homens, filmes e livros, Mata Hari ganhou uma biografia assinada por Julie Wheelwright, denominada Mata Hari - A amante fatal: erotismo e espionagem (Rosa dos Tempos, 1997, 290 págs., R$ 40,90). A obra recupera a trajetória da informante e questiona a mitificação da mulher no mundo da espionagem. Outra publicação sobre a vida da holandesa acabou de sair do forno numa versão em espanhol. Trata-se de Mata Hari, de autoria de Luis Carlos Buraya (Edimat, 2005, 192 págs.), pertencente à coleção Mujeres en la historia.

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